Motoristas: oferta de emprego Modais, Rodoviário

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Cantada em verso e prosa, fonte de inspiração de filmes e séries de televisão, a profissão de motorista, herói anônimo, conseguiu criar uma aura mística ao seu redor, sendo valorizada pela grande maioria das pessoas e admirada por outras tantas. Símbolo de uma era de desenvolvimento, povoava os sonhos infantis de uma geração, a qual tinha como objetivo ser caminhoneiro.

Responsável por cerca de 60% da riqueza produzida no país, o modal rodoviário está em risco, o que traz graves consequências a todos os brasileiros, pois já vivenciamos um verdadeiro “apagão” da mão de obra para suprir o sistema. Com prazos de entrega de cargas cada vez mais curtos, pouca expectativa de crescimento profissional na carreira e jornada de trabalho habitualmente longa, os motoristas de caminhão também enfrentam grandes adversidades constantes, como por exemplo um dos maiores vilões que são as situações de infraestrutura de nossas estradas, elevando ainda mais a carga horária de serviço.

Em recente pesquisa da CNTT (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes), a profissão de motorista de ônibus foi eleita a pior do Brasil. Outro reflexo da situação pode ser observado em pesquisa do portal Globo.com. A idade média do profissional, hoje de 42,5 anos, teve um aumento de 6,8% em apenas dois anos. Outro fato alarmante é o nível de escolaridade, que vem diminuindo principalmente no ensino fundamental completo, com queda de 50% de 2012 em relação ao ano de 2010.

Por outro lado, houve um grande desenvolvimento na qualidade dos veículos, principalmente caminhões e ônibus destinados a longos percursos. É inegável que os equipamentos vem sendo modernizados com tecnologia de ponta, tornando-se cada vez mais eficientes, com maior nível de qualidade operacional, o que contribui para a redução dos índices de acidentes fatais.

No entanto, criou-se um paradoxo tecnológico, uma vez que a baixa escolaridade dos profissionais que atuam no segmento representa um limitador nas futuras contratações, tornando a mão de obra qualificada cada vez mais escassa no mercado. Ainda segundo o portal Globo.com, somente 9% dos profissionais possuem idade menor que 30 anos, ficando a grande maioria, cerca de 65%, entre as faixas etárias de 31 a 50, indicadores que demonstram a total falta de interesse da nova geração por esta profissão. Uma pesquisa da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística revela que 56% das empresas brasileiras têm hoje veículos parados nos pátios por falta de profissionais. De acordo com a associação, o Brasil tem hoje 100 mil vagas para motoristas em aberto.

A boa notícia é que a Legislação Trabalhista Brasileira vem fazendo a lição de casa, impondo regras mais severas, a fim de preservar a saúde do trabalhador e diminuir acidentes. Cabe ressaltar que motoristas em geral tendem a desenvolver problemas de saúde como obesidade e aumento da pressão arterial, devido aos longos períodos na condução dos veículos, que geram inatividade física.

“Garimpar’ bons motoristas no mercado está se tornando tarefa árdua aos Gestores de Pessoas das empresas, e aparentemente a única saída para atrair novos profissionais será a valorização salarial. Haverá impacto nos custos lógicos em relação à receita liquida, desequilibrando significativamente o percentual no item transporte em relação a armazenagem e o estoque.

Enquanto o Plano Nacional de Logística do Transporte não decola, dependeremos exclusivamente destes trabalhadores para transportar nossas riquezas. Traçar o novo perfil do motorista profissional será um grande desafio, pois o cenário nacional não é muito promissor. Iniciativas de várias empresas já despontam como solução em curto prazo, com políticas sociais bem definidas e estruturadas nos mais diversos programas de qualidade do mercado, garantindo a retenção de seus talentos.

Autor: Rogério Nascimento

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Últimos Comentários

  1. José Antonio

    Sim, é verdade, há vagas, mas não há candidatos para preenchê-las, uma realidade a ser olhada com carinho, mas sobretudo com responsabilidade, com olhos no futuro do transporte modal rodoviário, sob pena de colapso em pouco tempo, pelo setor de formação de mão de obra qualificada. O Ministério dos Transportes devia se mobilizar, uma campanha incentivadora de formação de novos motoristas, promover cursos profissionalizantes, tem muito jovem que não sabe ainda o que fazer, como sair do ostracismo e se qualificar para esse mercado. As estradas melhoraram bastante nos últimos 15 anos, os veículos também, mas em tudo há um limite, os atuais motoristas tem prazo de validade, é preciso formar novas gerações, do contrário o país vai parar.

  2. bira

    oq falta e oportunidade tenho cnh e mas so trabalhei com trunk nao consigo trabalhar com carretas eles querem experiencia….. mas nao me deixa começar como vou ter bastava um trenamento todos aprendem

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