Riscos na terceirização e subcontratação do transporte Modais, Rodoviário

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A cada dia que passa, vemos um incremento no rigor da legislação em relação ao transporte rodoviário, principalmente quando se trata de produtos químicos e perigosos. Diversas licenças são exigidas ao transportador para garantir a integridade da carga, do meio ambiente e das pessoas, elevando o valor dos fretes e quase que inviabilizando as operações pelo modal rodoviário.

Em grandes centros urbanos, a logística desses tipos de produtos chega a ser afetada com a restrição de rotas e horários, obrigando o profissional de logística a desenvolver planejamentos e alternativas para cumprir com os compromissos assumidos junto aos clientes e garantir os níveis de serviço contratados.

As indústrias químicas também possuem inúmeros requisitos legais a atender e por isso conta com a parceria das transportadoras para garantir que a cadeia logística de seus produtos seja perfeita desde a fabricação, embalagem, manuseio e expedição em sua planta ao transporte e entrega no cliente final, pois é corresponsável civil e criminalmente em caso de incidentes que envolvam produtos por elas produzidos, caso não tenha tomado os devidos cuidados na hora de terceirizar o serviço de transporte.

Uma das medidas tomadas pela ABIQUIM (Associação Brasileira das Indústrias Químicas) para reduzir esse risco, foi implementar o Programa Atuação Responsável junto aos parceiros em sua cadeia logística. Esse programa é baseado num modelo desenvolvido no Canadá, na década de 80, intitulado Responsible Care, que começou a ser adotado no Brasil a partir de 2001.

O Programa Atuação Responsável prevê alguns compromissos a serem assumidos pelos parceiros das indústrias químicas, e dentre eles está uma avaliação de seu sistema de gestão, conhecida como SASSMAQ (Sistema de Avaliação de Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Qualidade), na qual está prevista uma série de requisitos legais, classificados como Mandatórios e que devem ser 100% atendidos e outros que são requisitos indicados pela Indústria Química, que devem ser atendidos em no mínimo 70% e outros ainda classificados como desejáveis que não tem qualquer exigência na avaliação, mas são consideradas boas práticas e contam na pontuação como um diferencial em relação à concorrência.

Assim, o compromisso das indústrias químicas passou a ser operar somente com transportadoras parceiras que são avaliadas no SASSMAQ e atingem uma pontuação acima da mínima requerida.

No entanto, a avaliação dá margem para a subcontratação dos serviços de transporte, desde que também atendam aos requisitos do SASSMAQ. O grande risco é que a avaliação das transportadoras também sejam um processo amostral. Neste momento surge a dúvida, de como garantir que todos os controles da transportadora sobre seus subcontratados sejam realmente confiáveis e eficazes?

A garantia só pode vir por meio de uma boa parceria entre todos os elos da cadeia logística, havendo um comprometimento de todos em relação aos aspectos de sustentabilidade, qualidade e segurança, gerando oportunidades contínuas e lucrativas para os todos. Na prática, acredito que ainda, o Brasil tem muito a se desenvolver culturalmente, antes de falarmos em parceria, seja ela em qualquer ambiente corporativo.

Sobre Juliano Bertholdo

Administrador, auditor e analista de sistemas de gestão QSSMA, inglês avançado, excelentes conhecimentos em informática. Experiência em gestão da qualidade e auditorias, planejamento de operações logísticas, comércio exterior e vendas. Cursando atualmente MBA em Gestão Estratégica de Logística. Determinação para superar novos desafios, transformar metas em resultados, otimizando recursos e trabalhando em equipe com integridade e confiabilidade. Interesse em áreas de planejamento estratégico e gestão da qualidade. Especializações: Auditor Líder ISO 9001:2008, ISO 14001:2004 e OHSAS 18001:2007; Auditor Interno ISO 9001:2008, ISO 14001:2004, OHSAS 18001:2007 e SASSMAQ 2005 e RDC16/13.

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Últimos Comentários

  1. Oscar Rodrigues

    Muito bom, muitas vezes as empresas contratam veículos terceirizados mas não fiscalizam se os mesmos atendem as legislações atuais, gerando assim futuros problemas com o orgãos fiscalizadores.

  2. João Paulo Valencia

    Boa noite,

    E aonde consigo uma relação de transportadoras que tenham as autorizações necessárias para transportar produtos químicos ?

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